SONETO DA PORTA
A porta rangeu triste. A madrugada
Dentro em mim pesava adormecida.
A porta rangeu triste enferrujada
Como tua carne em mim despercebida.
Passou e no esquisito foi deixada
Aquela nossa paixão enrijecida,
Como esta velha porta abandonada,
Como estrela sem rumo, enlouquecida.
Abriu-se e cerrou-se aleatoriamente.
E foi então que, logo a porta se fechou...
Que tudo em mim pulsava indiferente.
Fostes a musa que nunca me inspirou.
E eu tão esqueci tão delicadamente
Como a tão silente musa me enganou.
JESUS CRISTO DA PARAIBA
(Se Jesus tivesse nascido na Paraíba...)
Jesus Cristo fez-se pobre,
Vindo nascer na Paraíba.
Sua casinha era de taipa
Às margens dum rio cujo nome era Curimataú.
Seus queridos pais de tão humildes que eram
Só podiam ser chamados de “Damiana” e “seu Zé”.
Dele bem cuidaram as tais,
De tão humildes que eram, ainda assim
Não faltava o feijão e a farinha de cada dia.
Sem esquecermos a rapadura.
Jesus Cristo pisava o leito rachado daquele rio,
Cujo cabelo (digo: fio) d’água, bem lá no meio dele,
Saciou a sua sede tantas vezes.
Ele usava umas cabaças para transportá-la.
O menino Jesus cresceu forte, “cabra macho do sertão”.
Comendo batata de umbuzeiro, cuzcuz
E suco de jenipapo.
Passou pelas caatingas, admirou os serrotes.
E diante deles proferiu seus santos sermões.
Suas parábolas ouviam-se à sombras dos juazeiros,
Mas as aves nunca comeram suas sementes,
E ele saiu a semear em meio à caatinga louca.
O povo o ouvia calado, o coração a meditar.
Todo o sertão virou mar,
O leito do rio rachado de águas se completavam.
A caatinga virou mata densa de alegria.
A esperança renasceu.
E eis que o mundo se fez e a passarada cantou.
VENTO
O vento frio vai levando as almas esquisitas
E desesperadas,
Que na sonâmbula noite ruíram os seus sonhos.
Onde puderem achar repouso aí consolarão as lágrimas
Que rolam umedecendo as faces do abismo.
Um clamor como de espadas corta por entre os penhascos,
Onde as almas condenadas esmolando se agitam.
No alto azul d’inverno um pássaro
Canta augúrios pesarosos
Que algemaram as últimas esperanças destas almas.
Um sonho de noites silenciosas elas transportam.
E gota a gota respinga um desalento.
Desalento de manhãs sem nubladas.
De seres esquecidos pelos bosques.
De quando o amor e lenda antiga esquecida nos corações.
Quando os jasmins já não exalam nos canteiros.
Já vão distantes espalhadas nas campinas
As almas tristes levadas pelo vento.
Eis que ele sopra intensamente pela secreta madrugada.
Perderam o último espetáculo
Da existência e um gemido ouviu-se
Interminável vindo das silentes profundezas.
ABANDONADO
Quando eu te encontrei sozinho estavas.
Percebi sobre a tua cabeça inerte
Uma coroa de espinhos agudos.
Quando olhei ao redor haviam fugido
Todos aqueles que reclinavam-se ao teu peito.
Antes saciastes uma multidão.
E agora és reduto de fome e sede,
E onde a dor e a morte se alojaram.
Antes, o rei; hoje, o servo
Repartido entre a morte e o desespero.
Antes eras príncipe de príncipes,
Mas, agora, escravo da solidão.
Procuro alguém que te console a alma
E que venha fartar-te de pão e vinho...
Eras tão grande e agora tão pequeno;
Eras tão forte e de repente fostes vulnerável.
Porém, entendo que escolhestes o amor.
Ele te faz vencedor.
Ele fez surgir a luz da vitória no horizonte além.
Outra vez a coroa da justiça
Foi posta em tua cabeça.
Uma espada de dois gumes
É o teu reinado.
E novamente a vida amanheceu.
Diante das densas trevas
E dos homens foi anunciada a redenção.
MAR E ESTRELA
Plana o vento
Sobre as vagas,
Vêm as ondas.
(vou sonhando
sobre o meu profundo mar).
Brilha estrela,
Canta a Lua.
Vamos todos assoviar,
Como vento sobre as ondas,
Como vento sobre o mar.
Arde fogo vorazmente
Neste sol
Ardentemente a brilhar.
Plana o Vento,
Brilha a Estrela do sertão.
Arde o Fogo insaciável
Para mim.
Vou sonhando,
Vou cantando
Como o Vento
Sobre o Mar.
Assobia o vento, vento, vento...
Leva-me contigo ao mar.
GURI
Joga a bola guri!
- Olha a pelada!
O recreio começou.
Empina a pipa
Solta ao vlento...
Sorrindo, bolas de gude,
Saltitantes.
Carros, carrinhos,
Caminhões de lata...
Pelos céus voa tão leves
Aviõezinhos de papel.
“- Corre, pega, dibla a bola! Olé, guri! É pra já!”
A festa vai começar.
FLOR SOLITÁRIA NO JARDIM
Pobre de ti, flor esquecida no jardim.
Foi-se embora o jardineiro?
Ai de ti que de tanto esperar
Quem te regasse
Esquecestes teu próprio perfume!
Ai se vê que de repente
Vem pousar em ti uma abelhinha
Sobejamente consolando tua corola.
Andou errante, como você, sozinha
E te achou amando-te
Carinhosamente.
Espalha o teu perfume.
Cobre-te então de novas cores
E renovada então serás
Flor que não estás
Não mais solitária.
ADÃO E EVA
Num dado momento todos os sonhos passavam
diante dos meus olhos.
Todas as ilusões ruíram sem prosperar,
Mas os sonhos permaneceram.
Eva, tu eras o meu sonho possível.
Eras de repente a musa mais sensível,
Eras de mim o poema mais sublime,
Onde os versos eram maçãs de ouro
E as estrofes eram frutos não proibidos.
Indubitavelmente, não era um sonho
O que havia diante de mim
(carne da minha carne e osso dos meus ossos).
Perfume de maçãs cultivadas
Nas entranhas vermelhas do prazer.
Amores que surgiram no coração do Éden.
Pólen de rosas celestes
No mistério desta paixão.
Os quatro rios verteram
Leite e mel dentro de nós,
E o eterno sonho do amor
Tão vorazmente brotava
Nas multidões da terra
Abençoada.
POEMA RESOLUTO
Hoje vou despedir
Todos os meus problemas.
Vou dar-lhes aviso-prévio,
E da parte que os toca
Nada será subtraído.
Depois darei um mergulho
Nas águas de Copacabana.
Tomarei água de coco fresco
E sentirei a brisa que sopra
Nas praias azuis-tupiniquim.
Todos os problemas
Irão “por água a baixo”,
Para onde as luzes do sol
De há muito estão congeladas.
Os problemas “deixarão de onda” comigo
E abandonarão a minha choupana.
Nunca mais terão por mim suas carteiras assinadas.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
terça-feira, 14 de outubro de 2008
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008
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quarta-feira, 13 de agosto de 2008

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Entre outras técnicas aqui você encontra:
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Desenho de animais e vegetais
Desenho do corpo humano(anatomia)
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Tamanho: 43,8 MB
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segunda-feira, 11 de agosto de 2008
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
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